outro–eu-deactivated20220119:
não importava o quanto eu tentasse me refazer pra caber em você, nunca foi o suficiente. tentei ser coisa de menos, mas sobrou espaço demais. tentei ser de mais, mas ficou apertado. eu tentei ser a inteligente, a engraçada e a descontraída. fui a séria, a festeira e a estúpida. eu te ouvia e tentava ser o que você queria, porque te ter era mais importante do que ser eu mesma. eu te queria perto de mim e não importava como isso aconteceria. me convenci de que poderia aguentar até mesmo a minha versão que eu menos gostasse se isso te deixasse feliz. às vezes eu te sentia entrando e isso me desestabilizava, porque eu era uma farsa. te conseguia por uma fração de segundos e nesse meio tempo tudo fazia sentido, até as minhas ideias mais ridículas de nós. você saía e eu ficava com um “não vai, fica e faz de mim o que quiser” entalado na garganta, mas nossa sorte é que eu nunca disse. em todos esses papéis que eu fiz por ti, o único recorrente era o meu papel de boba por querer ser qualquer pessoa por você. não se fica com alguém desse jeito e eu entendi quando você foi embora que esse era o único final possível pra nós. eu faria tudo por você, mas não podia me desfazer de mim.
outroeu
conotos:
“Eu gosto é do alarde, da bagunça, da confusão e da noite, odeio paquidermes, desaforos e desaforados, desgosto quando calo o verbo e me faltam palavras, pois muitas tenho e esbanjo este linguajar chulo, com alguns palavrões que aprendi na escola. Quem disse que na escola não ensinam palavrões é por que não estuda ou não vive o século XXI. Eu gosto é do barulho baby, gosto da multidão enlouquecida e do mundo que não tenho em mãos. Eu gosto é do estrago. Gosto da chuva acida e das tardes de sol que me queimam a face, ignoro o protetor, gosto de viver ao extremo e do extremo sul ao extremo norte ando me apaixonando, bem baby, perdão, mas por gostar de estrago estraguei este coração que me foi dado, meu pulmão sequer filtra o ar da cidade, meus tímpanos estão estourados, minha visão está estragada, as minhas veias andam entupidas, entupidas de saudade. Qualquer dia enfarto. Mas saiba baby que eu amo é o estrago.”
— “Eu gosto é do estrago” Alêh Lima.
inverbos:
“Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”
— Luis Fernando Veríssimo.
compostos:
Detesto falhar comigo e com a minha moral, detesto me reduzir a coisas que me depreciam. Sei o tamanho que tenho e onde posso chegar, sei que estou na negativa por tempo demais e sei que já deu, já foi, todo esse ser atemporal, banal, vulgar e teatral já não me cabe mais. Preciso poeticamente me ajustar.
John and blues
murmurios:
É fácil tirar as roupas
e deixar o corpo exposto,
difícil é abrir o coração
e deixar que leiam tua alma.
p-o-e-s-i-a:
não alimente o que te machuca.
não alimente o que não te traz paz.
não romantize suas dores,
deixe arder, deixe curar.
cr.
poetavazio:
“Você se apega tanto a falsas esperanças que quando deve acreditar faz descaso.”
— Carlos Eduardo Saltzman.